Por Que Clarice Lispector Se Sentia Deserdada Da Vida?

Reza February 27, 2023
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Clarice Lispector foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia em 1920, e falecida em 1977. Ela é considerada uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira do século XX. Sua obra é marcada por uma linguagem poética e introspectiva, que reflete suas questões existenciais.

Clarice Lispector era uma pessoa muito introspectiva e sentia-se deslocada em relação ao mundo ao seu redor. Ela tinha uma relação muito intensa com a vida e com a morte, e buscava incessantemente compreender o sentido da existência. Essa busca constante pela compreensão da vida e da morte pode explicar em parte o motivo pelo qual ela se sentia deserdada da vida.

Infância e adolescência

Clarice Lispector passou por momentos muito difíceis em sua infância e adolescência, o que pode ter contribuído para a sensação de desamparo que ela sentia. Sua família era de origem judaica e em 1921, quando Clarice tinha apenas um ano de idade, eles se mudaram para o Brasil, fugindo da perseguição aos judeus na Ucrânia. A família se estabeleceu em Maceió, no estado de Alagoas, onde seu pai abriu uma loja de tecidos.

A infância de Clarice foi marcada pela morte prematura de sua mãe, em 1930, quando ela tinha apenas 9 anos de idade. Esse acontecimento traumático marcou profundamente a vida da escritora, que se sentiu desamparada e desorientada. Ela passou a ter um relacionamento muito próximo com a figura paterna, que se tornou uma espécie de ponto de referência em sua vida.

A adolescência de Clarice também foi marcada por momentos difíceis. Em 1937, ela se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde seu pai abriu uma nova loja de tecidos. Na época, o Brasil estava sob a ditadura do Estado Novo, e a cidade do Rio de Janeiro era um lugar muito violento e perigoso. A escritora relatou em vários momentos de sua vida a sensação de medo que sentia ao andar pelas ruas da cidade, especialmente à noite.

Busca pelo sentido da vida

Desde muito jovem, Clarice Lispector mostrou uma grande sensibilidade para as questões existenciais. Ela questionava constantemente o sentido da vida, a morte, a identidade e a relação entre o homem e o mundo. Essas questões eram recorrentes em sua obra literária, que muitas vezes apresentava personagens solitários e introspectivos, em busca de compreender a si mesmos e ao mundo ao seu redor.

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Clarice Lispector vivia em uma época em que o mundo passava por profundas transformações. A Segunda Guerra Mundial havia terminado há pouco tempo, e o mundo estava em reconstrução. Além disso, o Brasil passava por transformações políticas e sociais, com a chegada do novo governo de Getúlio Vargas. Esses acontecimentos históricos podem ter contribuído para a sensação de deslocamento e incerteza que a escritora sentia em relação ao mundo.

Em busca de respostas para suas questões existenciais, Clarice Lispector estudou filosofia e psicologia, o que a levou a uma série de reflexões sobre a natureza humana e sobre o mundo. Ela também se interessou pela religiosidade e pelo espiritualismo, e buscou em várias religiões e crenças respostas para suas questões. Essa busca constante pelo sentido da vida pode explicar em parte o motivo pelo qual ela se sentia deserdada da vida.

Solidão e introspecção

Clarice Lispector era uma pessoa muito introspectiva e solitária. Ela passava longos períodos sozinha, escrevendo ou refletindo sobre a vida e sobre sua obra literária. Essa solidão pode ter contribuído para a sensação de desamparo que ela sentia em relação à vida. Em uma entrevista dada em 1977, poucos meses antes de sua morte, ela afirmou:

“Eu sou uma pessoa solitária, mas não me sinto abandonada. Eu me sinto só, mas não me sinto desamparada. Há uma diferença sutil. Eu encontro em mim mesma uma companhia que me satisfaz, e isso é fundamental para a minha sobrevivência. Eu sou minha melhor amiga e minha melhor companhia.”

Essa afirmação mostra que, apesar de se sentir só em muitos momentos de sua vida, Clarice Lispector encontrou em si mesma uma companhia que a satisfazia. Ela era uma pessoa muito ligada à sua própria essência e buscava constantemente compreender a si mesma e ao mundo ao seu redor.

Conclusão

A sensação de desamparo e de deserdamento da vida que Clarice Lispector sentia pode ser explicada por uma série de fatores, que incluem sua infância e adolescência difíceis, sua busca constante pelo sentido da vida e sua solidão e introspecção. Esses elementos marcaram profundamente a vida e a obra da escritora, que se tornou uma das mais importantes da literatura brasileira do século XX.

FAQs

1. Qual foi a importância de Clarice Lispector para a literatura brasileira?

Clarice Lispector é considerada uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira do século XX. Sua obra é marcada por uma linguagem poética e introspectiva, que reflete suas questões existenciais. Ela influenciou uma geração de escritores e continua sendo lida e estudada até os dias de hoje.

2. Como a infância de Clarice Lispector influenciou sua obra literária?

A infância de Clarice Lispector foi marcada pela morte prematura de sua mãe, em 1930, quando ela tinha apenas 9 anos de idade. Esse acontecimento traumático marcou profundamente a vida da escritora, que se sentiu desamparada e desorientada. Essa experiência pode ser vista em vários momentos de sua obra literária, que apresenta personagens solitários e introspectivos, em busca de compreender a si mesmos e ao mundo ao seu redor.

3. Qual é a importância da obra de Clarice Lispector nos dias de hoje?

A obra de Clarice Lispector continua sendo lida e estudada até os dias de hoje, e é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira do século XX. Sua linguagem poética e introspectiva influenciou uma geração de escritores e continua sendo fonte de inspiração para muitos artistas. Além disso, sua busca constante pelo sentido da vida e pela compreensão da natureza humana é algo que ainda ressoa nos dias de hoje, e pode ser vista como uma contribuição significativa para a cultura e a literatura brasileira.

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Reza Herlambang

Eu sou um escritor profissional na área de educação há mais de 5 anos, escrevendo artigos sobre educação e ensino para crianças na escola.

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